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AdVersos
se formou em 1968, quando jovens poetas - na maioria, da Tijuca
- foram-se conhecendo quase que por acaso. Reuniram-se uma
vez, duas vezes, e logo ficou claro que partilhavam profundas
afinidades. Compartilhavam, principalmente, o fascínio
pela poesia e a alegria de estarem juntos, lendo poemas, discutindo
temas vários, ouvindo canções, preparando
as primeiras semeaduras para a vida que, com efeito, vieram
a viver.
Nessa
primeira fase, o grupo era formado por Afonso Carlos Marques
dos Santos, Aldir Blanc, Basilio Miranda, Chico Flávio
Rodrigues, Edna dos Santos, Francisco Nesi, Geraldo Duarte,
Ivan Wrigg Moraes, José Pires Barrozo, Kátia
Bento, Kuri, Luiz Alfredo Millecco Monteiro e Roterdam Salomão.
A música, por conta de Sílvio da Silva Júnior.
As
reuniões semanais, além dos integrantes que
o fundaram, conglomeravam gente de toda sorte: amigos, parentes,
conhecidos, interessados, artistas, curiosos. Numa sala miúda,
a alguns passos da Praça Saens Peña, apinhavam-se,
às vezes, mais de trinta pessoas. Semanalmente, uma
festa - e a festa, da poesia.
AdVersos não chegou a concretizar seu livro, mas se
apresentou em pequenos teatros, auditórios, escolas,
clubes, onde quer que suas Comunicações Poéticas
pudessem realizar-se. Assim, durou até 1972, quando
os poetas foram levados para outros compromissos, outras responsabilidades,
enfim, para outras exigências existenciais inescapáveis.
Então,
trinta anos se passaram. Nesse meio tempo, José Pires
Barrozo faleceu, Aldir Blanc seguiu os caminhos que todos
conhecemos, Geraldo Duarte foi morar na França, Edna
dos Santos privilegiou a carreira acadêmica.
Não obstante fazeres e aconteceres, Afonso, Basilio,
Chico Flávio, Francisco, Ivan, Kátia, Kuri,
Luiz e Roterdam trilharam um rumo convergente. Nesta mesma
rota, veio vindo, com sua música, Silas Sarmento, assíduo
freqüentador das velhas reuniões tijucanas. E
quase que por acaso (ou por causa do afeto inextinguível)
reencontraram-se para o que, a princípio, seria apenas
matar as saudades.
Saudades
suprimidas, instaurou-se a necessidade de mais encontros,
constelou-se um novo ânimo, revelou-se a certeza de
que AdVersos não era mais um grupo de jovens universitários
sonhadores, mas se tornara uma firme aliança de homens
e mulheres que, a despeito de tudo, continuaram amanhando
o ofício poético em suas vidas. É por
isso que AdVersos está de volta. É por isso
que AdVersos há de continuar. Para todos, sempre uma
festa - e a festa, sempre da poesia.
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