minha
noção de prazer é restrita
no
paladar
nem o gosto encorpado do melhor vinho,
ou do melhor champagne,
ou do brandy, do conhaque, da cachaça de alambique:
néctares, mas não se equiparam à vida
na
visão
nem a paisagem de lagos entre a neve e o sol
nem a tela de Da Vinci na maior sala do Louvre
ou mesmo o instante em que a luz amanhece:
brilhantes, mas não superam a vida
no
olfato
nem o éter que exala do corpo em calores do amor
nem o perfume suave da brisa da manhã em estado de
paz
ou mesmo o cheiro das flores em seus jardins naturais:
lindos, mas não se igualam à vida
na
audição
nem o cântico mais remoto de um medieval mosteiro
nem a frase de jazz mais delicada de Brownie
nem a música de Sarmento em letra de Monteiro
maravilhas, mas não maior que a vida
no
tato
nem o formato generoso das nádegas,
nem o roliço das coxas,
mesmo as outras avenidas do corpo,
êxtases: mas nada transborda a vida
(2003)