voltar Katia Bento
   
Não mate a mata  
Arara  
Vão-se os anéis ficam os dedos(?)  
Bicho do mato  
Zápt  
   
 
   
Não mate a mata  
 

Em nome da terra

com unhas & dentes

lance sementes

de S.O.S. e luta

sobre o solo duro

vá jogando verde

pra colher futuro


Arara  
 

Cortem-me a língua
se não vi um estilingue
na mão de um garoto.
Calem-me a boca
se a arma endiabrada
não era de aço
industrializada.
Delinqüente raça -
desde tenra idade
trama
ameaça.
Ó Babel-Sodoma
nada nada vale
tanto idioma.
Língua morta é esta
tentativa extrema
de fazer poema.
Quase dissidente
de também ser gente
corto-me a palavra.
Abracadabra -
viro ave braba - arara
arde minha pena
em brasa.


Vão-se os anéis ficam os dedos(?)  
 

Dedos

: dez

para os anéis.

Mas vêm os danos

vão-se os anos

chega o instante

do sono.

No subterrâneo

- pó e degredo -

foram-se os dedos

todos os dez

restam na terra

anéis.


Bicho do mato  
 

Agonia das vias,

estando na Rio Branco digo: ó Deus

livrai-me da 5ª. Avenida de Nova Iorque.

E na Voluntários

: salvai-me da Rio Branco.

Assim por diante.

Se o código urbano não decifro

O Senhor ouve meu grito

: Ele sabe de onde venho

e que a rua que era a minha

nem nome tinha.


Zápt  
 

Antes que eu


descreva o seu círculo


a mosca já o descreveu