| |
| |
|
| |
|
| Livraria |
|
| |
Uma
estante de livros
É como uma "gôndola" de super-mercado.
Na
prateleira mais baixa,
revistas coloridas e quadrinhos.
Na segunda prateleira,
livros de bolso.
Na prateleira ao alcance das mãos,
livros de aventura e "best-sellers".
Na prateleira de cima,
clássicos e encadernados.
Mas na última prateleira,
de difícil acesso,
os livros de poesia,
porque a poesia é para aqueles
que se esforçam para alcançá-la.
|
 |
|
|
| Uma
casa no campo |
|
| |
Não
quero uma casa no campo,
não quero livros, nem discos.
hoje eu quero ficar na praia, sob o sol,
o corpo quente, abrasado.
Sei
que vou me arrepender,
mas não quero a luz pálida
passando morna no jardim.
Sei
que vou me arrepender,
mas não quero música suave,
hoje eu quero um rock metálico.
Não quero o impressionismo de Monet,
mas o abstracionismo de Mabe.
Não quero Atenas,
Mas Esparta.
Não quero alface,
Mas rúcula.
Sei
que vou me arrepender
mas o que quero é movimento
é
força
é intensidade
e
é grandioso ver em mim reunida
a grandeza da vontade
e a debilidade do ser.
|
 |
|
|
| Descoberta |
|
| |
Quem
era aquele que
aceitava a mágoa da ofensa,
abrandava a dor da tormenta,
acalentava a mentira da fantasia,
afagava a farsa da hipocrisia?
Quem
era aquele
de quem zombavam
e não importava,
de quem falavam
e não importava?
Quem
era aquele que
ironizava seu transcurso
pela vida,
Enfatizava seu discurso
pela lida?
Não
sou mais aquele de quem falo.
Não sou anjo, nem demônio,
mestre ou profano.
Quero encontrar o meu caminho,
soprar as cinzas do passado
e ver um carvão em brasa,
abrir as páginas de um livro
e ler um poema esquecido.
No
final de tudo,
após tristezas e alegrias,
consensos e rebeldias,
após enlaços com ternura
e beijos com paixão,
tudo se acalmou.
Não sou mais aquele de quem falo.
Em fotos, textos e quadros
jaz aquele - eu - estranho
revoltado.
Agora, não alheio,
mas pacificado.
Agora, certeza no futuro
de que era desesperançado.
Agora, tudo a mim se elucida,
aquele - eu - morto
foi suicida!
|
 |
|
|
| Justas |
|
| |
As
coisas que eu guardo,
com cuidado: muitos livros,
relógios, canetas, poemas
e alguns quadros,
contam minha história
e mostram o que sou, dividido,
resumido em capítulos diferentes.
Eu
mesmo separo meus pertences
de acordo com a hora,
o compromisso,
pessoas e lugares.
As roupas e jóias
são usadas como armadura e elmo,
na liça dos meus desafios
e que carrego a cada passo,
com gestos, visagens, esgares.
Nos quadros há a mutação do dia,
há trégua nas justas.
Em uns repousa o horizonte,
em outros há turbilhões
onde explodem energias.
Já as poesias são as rainhas
dos meus guardados,
brilham como Fogo de Santelmo,
soam como a 5ª Sinfonia,
são meus sortilégios,
minhas alegorias,
são lanças vencedoras,
posto que verdadeiramente minhas.
|
 |
|
|
| Secreta
confidente |
|
| |
Se
me perguntam qual o motivo
da minha mão trêmula,
do meu sorriso nervoso,
do meu paço claudicante,
da minha voz embargada.
Se me perguntam se é por dor ou amor,
algum sofrimento,
algum presságio louco,
algum grito preso na garganta
rouco, sem lenimento.
Se me perguntam por que vivo com o medo
que me faz desta forma
de mim mesmo defasado.
Eu mesmo respondo,
certo do meu fardo.
Eu exponho o segredo,
de manter-me tão reservado,
à amiga complacente,
que conhece meus sonhos
e me ouve calada.
Eu respondo apenas à ela:
a insone madrugada.
|
 |
|
|
|